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sexta-feira, 14 de junho de 2013

O QUE FAZER E O QUE ESPERAR?


Falo em nome de muitas(os) colegas que se identificam naquilo que vou dizer.
A grande maioria desta equipa quer ver a empresa a prosperar e a recuperar desta triste crise.
A grande maioria desta equipa quer ainda fazer de tudo para irmos em frente, para mantermos os nossos postos de trabalho e voltarmos a liderar o mercado.
Esse é o nosso espírito.
Mas não encontramos nada. Absolutamente nada da parte da administração para alimentarmos esta vontade e este espírito.
A força e a motivação não podem ser alimentadas com desespero, com fome, com mentiras, com indiferença, com incompetências.
Ninguém no seu perfeito juízo pode acreditar que a empresa se queira recuperar quando este é o trato com as pessoas que estão a sofrer como nunca sofreram na vida.
Vamos olhar para tudo isto com objectividade:
- Foram reunidos os créditos e está-se a avaliar a dívida e as possibilidades de a pagar;
- Está a ser feita uma avaliação da viabilidade da empresa por forma a que se possa reestruturar e ter financiamento.
Estes são dados objectivos.
Contudo estamos a falar de lojas abertas ao publico, de uma rede de distribuição que parte dos respectivos armazéns.
Temos a maior parte dos funcionários a dar a cara pela empresa para o publico.
A dar a cara ao publico que fica à espera, que reclama, que é enganado.
A dar a cara e a aturar clientes estando com ordenados em atraso.
E se é preciso paciência, muita paciência, não dá para pedir mais.
O que é que querem afinal?
E depois estão à espera de quê? É normal que as pessoas depois entrem em boatos, em contos e ditos.
O pessimismo é alimentado pelas pessoas que nos ignoram e nos desprezam.
Por isso mesmo pouco nos resta.
Se a empresa não paga, se a família, o banco ou amigos já não podem emprestar, para a maioria chega. A única saída é a suspensão.
E ficam então as perguntas:
- Vamos chegar até ao fim de Junho sem receber os 30% de Abril?
- Vamos chegar até ao fim de Junho sem ver parte ou a totalidade do ordenado de Maio?
- Vamos iniciar Julho com os ordenados de Maio e Junho em atraso?
Mas está tudo louco?
Há dois meses para cá, as pessoas estão a trabalhar de graça. A dar tudo de si, de graça.
Querem mais? Querem sacrifícios? Querem paciência?
Como podemos confiar nas pessoas que nos mentem, que nos ignoram e que nos desprezam?
Como confiar o nosso futuro a quem destruiu o nosso presente?
Queremos e pedimos uma palavra e respostas todos os dias. E a resposta é zero, é silêncio, é nada.
Visto isto o que é que merecem? Nada!
É de desconfiar.
Quem nos garante que o PER não está a servir para ganharem tempo, para moverem verbas e património de forma a que numa futura insolvência não exista assim tanta coisa para penhorar?
Quem nos garante que o PER não é uma forma de ganhar tempo para anunciar o inevitável?
Se soubessemos hoje que isto iria fechar, cairiam baixas e suspensões de forma incontrolável e numa semana a empresa ficava sem funcionários.
E tudo isto leva a crer que estão a empatar, a ganhar tempo. E para quê não sabemos.
Mas sabemos que temos fome, que temos famílias para alimentar, contas a cair e que psicológica e materialmente as nossas vidas estão de rastos.
E antes da empresa, está a família!
Por isso mesmo se não houver para breve uma resposta, se não houver para breve dinheiro nas nossas contas, não contem com a equipa.
Tratem-nos com respeito e voltarão a ter o nosso respeito.
Continuem assim e a empresa deixará de existir.
Não somos nós que vamos suspender os contratos e fugir. É a empresa que nos está a expulsar a todos.
Chega desta miséria.
Quem lidera não aceita a miséria, combate-a!
E vocês estão a destruir milhares de vidas.
Em breve existirão respostas que ditarão o futuro de todos nós.
As vossas respostas, a esperança de que algum de vocês seja honesto e digno.
Na falta delas a resposta da equipa que tem que escolher entre a miséria com uma loja aberta ou a suspensão ou rescisão para ter alguma qualidade de vida.
A resposta é simples para quem já não consegue aguentar e esperar!
Mas talvez seja isso mesmo o que vocês querem. Será?
Ninguém sabe porque ninguém dá respostas para nada.
Mas nós não vamos parar e deixar que vocês nos matem.
Sabemos o que fazer! É triste, mas sabemos.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

BASTA!


Exmos Administradores e amigos(as) colegas,
Sim, o tempo de tolerância acabou. E o que é que isso significa?
Pode significar tudo ou nada. Podemos fazer muito ou podemos fazer pouco.
Contudo a tolerância acabou.
Vidas destruídas, famílias arruinadas, vidas expostas na praça publica.
Muita gente não resistiu e decidiu sair da empresa.
Muita gente não resistiu e decidiu suspender contrato.
Muita gente não resiste, mas continua trabalhando, dando a cara, sacrificando-se por tudo e por todos.
Só que a nós pedem-nos compreensão e espírito de sacrifício.
Mas aquilo que nós pedimos e exigimos é respeito.
A prova de que esta equipa respeita a empresa, é a tolerância e o civismo com que têm aguentado tudo isto.
Mas a prova de que quem nos lidera, são as pessoas mais cruéis, mais frias, mais mal educadas que já se viu, é este contínuo trato que têm para connosco.
Agora os comunicados não vêm assinados pela Administração. Vêm assinados e enviados por uma bonequinha de porcelana que pouco sabe da vida e do que é viver em desespero e dificuldade.
Agora os comunicados, além de mentiras e imprecisões, já vêm assinados por uma segunda linha, pois já nem querem perder tempo com os funcionários.
Somos lixo, não somos gente.
Somos animais encostados a um canto, esquecidos por completo.
Somos gente abandonada à nossa sorte. Gente que dá a cara e não tem quem dê uma única palavra.
A vergonha não somos nós, mas são as pessoas que lideram o barco.
É triste, é imoral ver gente na mina de ouro de Angola e Moçambique e ter centenas de colegas, de vidas, votadas ao esquecimento em Portugal.
E depois pedem-nos compreensão? E depois pedem-nos colaboração?
Já agora. Eu passo fome e vocês compreendem isso?
Já agora. O meu nome está manchado no Banco de Portugal, vocês compreendem isso?
Já agora. Tenho o frigorífico vazio. Será que vocês o podem encher?
Mais ainda. As minhas filhas comem pão e bebem leite ao qual acrescento água. Querem que elas compreendam?
Querem que eu compreenda quando estou a chorar enquanto escrevo estas palavras.
A minha vontade é de morrer, de desaparecer porque já não aguento esta vida, este terror, este desespero.
Então digam-me lá quem é que não respeita quem?
Tenham vergonha. Vocês perderam a vergonha toda.
Querem viabilizar a empresa? Como é que o planeiam fazer esquecendo as pessoas e fazendo delas lixo?
Como resistir numa empresa passando fome, sem 75% do subsídio de Natal, sem subsídio de férias, sem duodécimos, sem 30% do ordenado de Abril, sem 100% do ordenado de Maio e a caminho de dois meses sem receber na íntegra.
Digam seus cobardes. Como podemos continuar a trabalhar e a sobreviver assim?
Podia chamar-vos todos os nomes, mas todos seriam poucos perante o mal que nos estão a fazer.
Tenho mais nível do que vocês pois tenho consciência do próximo e vocês ficam como cobardes no vosso covil.
E o pior mal que nos estão a fazer é com a vossa cobardia, com essas palmadinhas nas costas que nos insultam.
O pior mal que nos estão a fazer é com mentiras, mentiras, mentiras e mais mentiras.
Mas a tolerância e o silêncio acabaram.
As suspensões vão cair em massa. Lojas vão fechar, mas por culpa vossa.
Brevemente vai estar tudo nos telejornais, nas bancas em vários jornais.
Vai estar na internet exposto tudo aquilo que vocês são. Tudo aquilo que estão a fazer.
Toda a vossa incompetência. Toda a vossa frieza. Toda esta loucura.
Basta!
Queremos fazer tanto por esta empresa, mas são vocês que matam toda a equipa!
Matam-nos da pior maneira. Aos poucos! Fazem-no lenta e cobardemente.
Qual é o vosso plano?
Quantas mais suspensões melhor e assim vai tudo de vela? E depois de que vale se quem fica não chega para as encomendas?
Querem emagrecer? E vão fazê-lo como? Vai tudo à maluca sem seleccionar quem interessa e quem não interessa?
E que raio de PER é que vai ter viabilidade se não houver gente nas lojas a trabalhar? Se não houver gente motivada, respeitada e com dinheiro nos bolsos para poder enfrentar tudo isto?
Não entendem?
Os nossos 10% para nada dão. Vão voar. Continuarei a passar fome.
Mas o vosso Santo António vai ser em grande. Vai ser um Santo António à maneira com festa, sardinhas e pimentos.
Aqui não há Santo António. Há cheiro a sardinha que me faz ficar de água na boca, mas vamos todos comer massa com salsichas do Continente.
As salsichas são de hoje. A massa está há três dias no frigorífico.
E como tenho vergonha de ter chegado a este ponto.
Vergonha da merda de gente que me levou a viver na merda!
Dez por cento? Mas eu lá vivo com 10% de ordenado?
Talvez deva estar com 10% de felicidade.
Basta. Agora chegou a hora de pagarem!
Agora é a nossa vez de reagir.
Temos o direito à revolta e à indignação.
Chegará a vossa vez pois acabou a tolerância.